sexta-feira, 3 de julho de 2020

Vó Luzia


Hoje minha avó Luzia se foi. Uma mulher de fé. A última de meus avós.

Vó Luzia. Era assim que eu a chamava. Por um tempo apenas eu a chamei assim. Todos da família sempre a chamaram de "Mamãe". Uma alcunha que sempre indicou amor e zelo. E também o quanto todos a respeitam e admiram. Alguns anos depois, meu irmão, que nasceu quando eu tinha 13 anos, também adotou esse jeito de chamar pela avó...

Ainda quando criança, eu disse a ela: "Vó, não consigo te chamar de Mamãe... você é minha avó, gosto de te chamar assim... minha vó Luzia..." Após dizer isso e obter a aprovação da matriarca, segui chamando-a assim. Sempre que nos falávamos isso era pauta da conversa por alguns minutos...

Ela morava em Minas Gerais, onde reside parte de minha família. Amada e respeitada por todos nós. Está sendo bem difícil digerir essa notícia...

Sempre digo que quando as pessoas queridas se vão elas permanecem vivas em nossas memórias, e, naquilo que restou em nós das intensidades que compartilhamos com elas. Para mim, minha vó Luzia permanece viva nessas intensidades, nessas lembranças e nas recordações dessas miudezas de vida que agora pulsam tal como fagulhas e flashes... tal como um filme...

Hoje, esse filme está passando bem à minha frente, repetidas vezes... flashes de retina, imagens em movimento e a movimentar essas lembranças que mantém minha avó viva em mim...




...

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

delicadeza



Dia 28 de janeiro de 2020

“Acabo de enviar a dissertação para a gráfica! Um misto de euforia e alívio...”

Minutos atrás, escrevi isso para uma amiga, e, não bastasse ter passado por um período intenso de escrita nos últimos meses, cá estou, novamente, a desaguar algo dos vórtices turbilhonados do pensar, nessas linhas.

Sempre tento imaginar como serão aqueles dias que planejamos e para os quais dedicamos considerável fatia de nossos esforços vitais. Quando eles chegam, geralmente fico a pensar nessa delicadeza da vida: dias comuns, repletos das cotidianidades dos dias precedentes, e, quiçá, dos subsequentes...

No dia 30 de janeiro de 2017 realizei a matrícula para o Mestrado em Educação da USP, na área de concentração Educação e Ciências Sociais: Desigualdades e Diferenças. Nesse dia, fiquei imaginando como seria o dia 30 de janeiro de 2020, data tão enfatizada pelo Janus, sistema da USP que organiza os prazos dos alunos de pós-graduação, pois essa, é a data limite para a entrega de minha dissertação. 


Esse dia ainda não chegou (está quase...), mas já me sinto a respirar sua ambiência após clicar no botão “send” do e-mail e encaminhar o pdf final para impressão...

Tenho muito a agradecer a todas as pessoas que colaboraram com o processo de composição dessa pesquisa... são aproximadamente quatro anos de muito trabalho, condensados nessas páginas.

Por isso, resfolego o ar desse misto de sensações, mesmo sabendo que, de certo modo, cada rastro ali grafado apenas compõe uma tentativa, de modo que faço minhas, essas palavras de Clarice Lispector: 


In: LISPECTOR, Clarice. Crônicas para jovens: de escrita e vida. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2010, p. 17.



segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Texto publicado: Diálogos com a chama viva dos arquivos mortos


Acaba de ser publicado o ebook "Arquivos, memórias sensíveis e educação". Uma coletânea de trabalhos apresentados no III Simpósio Arquivos & Educação, realizado no IEB-USP em 2018.



"Este livro, que agora vem a público, colige a coletânea de trabalhos apresentados no III Simpósio Temático Arquivos e Educação, realizado no Instituto de Estudos Brasileiros, nos dias 8 e 9 de novembro de 2018, tendo por título “Arquivos, Memórias sensíveis e Educação”. O evento foi promovido pelo Grupo de Pesquisa q Arquivos, CNP Educação e Práticas de Memória: diálogos transversais, coordenado pelas professoras Adriana Carvalho Koyama (Faculdade de Educação/Unicamp) e Ivana Denise Parrela (Escola de Ciência da Informação/UFMG), que assinam juntas a organização deste volume, e contou com parceria do Educativo do IEB." 
(TRECHO DA APRESENTAÇÃO)

***

Colaborei com um dos textos do livro, intitulado Diálogos com a chama viva dos arquivos mortos.


Acesso via QR code, ou pelo link: https://drive.google.com/file/d/1umcB5SlQjWEKi7k8vQGYFH5v-2VcB3X-/view





RESUMO
O termo arquivo morto sobreleva uma (in)congruente e (in)coerente beleza, pois resiste aos manejos e riscos dos tempos, a ponto de compor com alguém linhas vitais.Trata-se, de certo modo, de um sobrevivente. O encontro com arquivos deste tipo pode abrir múltiplos caminhos composicionais, por meio dos quais pensamos, aprendemos e forjamos nossas existências. Este texto indaga tais movimentações com apoio nos filmes Santiago, de João Moreira Salles (2007), e Por Parte de Pai, de Guiomar Ramos (2018). Pensamos com os vários encontros que pulsam: a justaposição entre o gesto de produzir seus arquivos de vida e com eles conviver, encarnada por Santiago, entrevistado retratado por João Moreira Salles, e o encontro posterior do cineasta com esses arquivos e o material bruto do filme, os quais, uma vez revolvidos, mobilizaram a composição de uma existência outra, completamente diferente daquela planificada em roteiro anos antes. O filme de Guiomar Ramos trata dos encontros com seu pai, Vitor de Almeida Ramos, adentrando ilhas de silêncio e fazendo falar “um outro” pai – agora, nos e dos documentos –, diálogos compostos nas fricções dos encontros de diferentes pontas de tempo. Nos dois filmes, os diálogos estabelecidos têm características semelhantes. Em um primeiro momento, estabeleceu-se o que propomos chamar de “diálogos em hiato”. Em um segundo momento, os diálogos se deram de modo outro, desta vez, em delay, via arquivos, conectando forças não previstas de antemão. Ambos, cada um a seu modo, produziram baralhamentos de tempos e rumos da mais bela força vital – chamas de vidas a fazer arder arquivos vivos e mortos e, em seus rastros, chamuscar outras coisas, outras linhas, outras vidas, quiçá.

Palavras -chave: Arquivo. Arquivo morto. Arquivo vivo. Educação. Cinema.




.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Encontro Cinema, Poética e Educação


Participei da comissão organizadora do Encontro Cinema, Poética e Educação, realizado no Auditório da Faculdade de Educação da USP, no dia 06/06/2019.

Website do evento (clique aqui)
Evento no facebook (clique aqui)

*
- Convidados: Beatriz Seigner, Eduardo Pellejero
- Mediação: Cintya Ribeiro
- Comissão organizadora: Cintya Ribeiro, Christian Guimarães Vinci, Ingrid Rodrigues Gonçalves e Lilian Silva
- Fotos: Ingrid e Igor Gabriel


.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

meu novo website/ portfólio



Iniciei um novo website/ portfólio utilizando o Google sites.
Também é possível acessar por este link curto: http://bit.ly/ingridrg

**

domingo, 28 de abril de 2019

Texto publicado: "ECOSSOCIALISMO – REFLEXÕES SOBRE O CONCEITO A PARTIR DA OBRA “O QUE É ECOSSOCIALISMO?” DE MICHEL LÖWY"

Foto ilustrativa para esta postagem. Acervo pessoal - Veias (by Ingrid R. Gonçalves)



Participei desse texto, pois durante a Graduação em Gestão de Políticas Públicas na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), cursei a disciplina “Recursos Naturais e Meio Ambiente”, na qual um dos trabalhos solicitados era a feitura de uma resenha crítica da obra “O que é Ecossocialismo?” de Michel Löwy. Esse texto é fruto desse contexto:

"Neste  contexto,  o  presente  estudo  representa uma análise crítica e sinérgica com foco no conteúdo das mais consistentes resenhas críticas desenvolvidas pelos  discentes  em  questão,  segundo  a  avaliação  do docente  e  dos  monitores  responsáveis  pela  condução da   supracitada   disciplina.   Frisa-se   que,   além   da (anteriormente) citada revisão bibliográfica, o presente estudo,   indiretamente,   está   também   embasado   no debate  realizado,  em  sala  de  aula,  entre  docente, discentes  e  os  monitores  a  respeito  da  construção  do conceito  de  Ecossocialismo  proposto,  centralmente (mas   não   exclusivamente),   por   Michel   Löwy –considerado,  na  atualidade,  como  um  dos  principais autores   sobre   o   tema,   e   defensor   da   proposta ecossocialista  na  busca  por  novas  relações  entre  o desenvolvimento e natureza." (p. 33)

LINK PARA ACESSAR O TEXTO:
https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/desafios/article/view/6131/14987

RESUMO: O presente estudo alicerça-se no debate a respeito do conceito de Ecossocialismo proposto por Michel Löwy. Ecossocialismo representa uma abordagem alternativa e crítica ao conceito de Desenvolvimento Sustentável sob uma perspectiva liberal, tal qual tem sido propagado como ideário dominante à busca por um modelo alternativo de desenvolvimento frente à crise ecológica global. A reflexão sobre a temática ecossocialista mostra-se essencial na formação de cidadãos críticos, capazes de discernir a respeito da questão socioambiental. Foi possível depreender que a proposta ecossocialista de Löwy nos convida o tempo inteiro a mudar de lógica, contribuindo para um abandono ao supérfluo, ao acúmulo inútil, à velocidade “maquínica”, ao desperdícioe à acumulação de acúmulo. Foi possível inferir que o Ecossocialismo se apresenta como proposta fulcral no tratamento das questões socioambientais contemporâneas, dado que transcende os limites do pragmatismo desenvolvimentista e do “senso-comum” que tem orientado as discussões sobre desenvolvimento sustentável. 

Palavras-chave: Ecossocialismo; Michel Löwy; Desenvolvimento Sustentável.


*

domingo, 16 de setembro de 2018

Exibição do longa-metragem Hachazos do cineasta argentino Andrés Di Tella

Claudio Caldini en “Hachazos” de Andrés Di Tella


Entre os dias 17 e 22 de setembro, acontecerá a 23ª Semana de Arte e Cultura da USP, evento que visa promover debates e a reflexão crítica em torno da cultura por meio de atividades realizadas por alunos, professores e funcionários. 

Eu e minha orientadora, a Profa. Dra. Cintya Ribeiro, organizamos, em parceria com o CINUSP, a exibição do longa-metragem Hachazos do cineasta argentino Andrés di Tella. 


Data: sexta-feira, dia 21/09/2018, às 14h00.
Local: Sala Cinusp Paulo Emílio. Rua do Anfiteatro, 181 Colméia - Favo 04. Cidade Universitária. São Paulo, SP.  
Duração: 90 minutos.
Áudio: espanhol. Legendas: inglês.






Andrés di Tella é um cineasta argentino, reconhecido por seus documentários. Em 2012 ele foi o homenageado da 17a edição do Festival É Tudo Verdade, um importante evento brasileiro de documentários. 


Andrés di Tella


Em diversos de seus filmes, Andrés utiliza-se de arquivos pessoais de sua própria família como elementos de composição e montagem, como por exemplo em Fotografias (2007) e La televisión y yo (2002). Em Hachazos, filme de 2011, também há um diálogo com arquivos pessoais, mas, desta vez, trata-se da obra de Claudio Caldini, apresentado como nome importante do cinema experimental argentino por anos ausente do cenário audiovisual. Seus filmes, realizados em película super-8, cabem em uma maleta e, à época, só podiam ser vistos se ele mesmo os projetasse. Di Tella enfatiza isso porque acha belíssimo o fato de uma vida em filmes acomodar-se numa única valise. Para além de uma biografia, mergulhamos numa experiência audiovisual que arrasta cineasta e filme a situações imprevistas, a modulações possíveis daquele modo, apenas habitando as contingências daquele encontro. 


No site do CINUSP: usp.br/cinusp


Esse filme compõe a série empírica de minha investigação de mestrado (em andamento), intitulada Arquivo-vida: composições de modos de existência na contemporaneidade, a qual conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES)*. 

**

Esta exibição está autorizada pelo cineasta.

Organização: Ingrid Rodrigues Gonçalves (mestranda em Educação FE-USP).

Coordenação: Profa. Dra. Cintya Regina Ribeiro (docente FE-USP). 



*O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001



segunda-feira, 20 de agosto de 2018

sábado, 28 de outubro de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Labaredas




o fogo afoga
queima sem queimar a sarça 
vermelha o verde, amarelando

noutros turnos dançaria palavras cinzentas

corrida ao vento
ciranda esfumaçada
luz vibrante esboroando céu, chão, pulmão...

estatuei assistindo a sinfonia das chamas


I.


Imagem: Stephen Lack



.

sábado, 22 de abril de 2017

UMA DANÇA DOS CORPOS FÍLMICOS






Publicado no dossiê EDUCAÇÃO, VISUALIDADES E ESPACIALIDADES NO CONTEMPORÂNEO da Revista ETD - Educação Temática Digital. v. 18, n. 4 (2016).


UMA DANÇA DOS CORPOS FÍLMICOS (clique aqui para acessar o texto)
Ingrid Rodrigues Gonçalves


Para saber mais sobre o dossiê e os autores, acesse:   http://miragemcveg.blogspot.com.br/2016/11/educacao-visualidades-e-espacialidades.html





UMA DANÇA DOS CORPOS FÍLMICOS (clique aqui para acessar o texto)
Ingrid Rodrigues Gonçalves

Resumo



Este ensaio visa tecer linhas transversalmente, com uma perspectiva pós-estruturalista. Evocamos como intercessores, pensadores como Gilles Deleuze, Giorgio Agamben, Ana Francisca de Azevedo; cineastas, técnicos e projecionistas, tendo nestes últimos, um estudo de caso que enlaça nossas ponderações, produzindo espécie de falcaça nos fios que puxamos. Desenvolvemos uma reflexão sobre os corpos como suportes e sobre os suportes como corpos. Levamos em conta que: os movimentos de nosso pensamento, podem atuar de modo semelhante aos projetores cinematográficos, dispondo imagens no tempo, nas "telas" de nossas vidas; há um processo em curso de substituição do suporte padrão cinematográfico, do filme fotoquímico para os pixels; películas e seus agenciamentos estão sendo substituídos pelo cinema digital, que demanda e produz corpos com outras trajetórias, singrando novos campos de possíveis no que tange às produções audiovisuais, pois as imagens digitais por se tratarem de pontos fotográficos binários podem ser copiadas e modificadas “ad infinitum”, descerrando possibilidades estéticas; por sua volta, experimentações dos modos de fazer relacionados à película constituem-se como experiências singulares, que percorrem outras linhas. Esta é uma discussão de vulto na contemporaneidade, tendo em vista que a transição tecnológica tem desterritorializado os saberes relacionados ao fazeres cinematográficos com película fotoquímica e, noutro turno, que nossas relações interpessoais têm sido cada vez mais mediadas por imagens-projetadas em telas e sua produção via corpos-pixel, em variados dispositivos.