terça-feira, 14 de julho de 2026

Entre o eu e o nós: notas após uma defesa de tese

 



Uma vida em duas centenas de páginas. Ou, uma vida em lampejos de diferentes temporalidades que se encontram. Uma dessas duas frases poderia ser o título desse post... 

Estou redigindo estas linhas há alguns dias, mas apenas hoje consegui parar um momento e sentar para arrematar algumas coisas que eu gostaria de escrever sobre esse dia: 13/05/2026, dia da defesa de minha tese de doutorado, realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGEdu/UFRGS) entre 2022 e 2026, sob orientação da professora Fabiana de Amorim Marcello. A banca foi composta pelos professores/as: Ana Laura Godinho Lima (USP), Susana Viegas (Universidade Nova de Lisboa), Cristiano Bedin da Costa (UFRGS) e Martin Jayo (USP).



Na investigação, intitulada “Grafias documentais autobiográficas e audiovisualização da vida: articulações entre o ‘eu’ e o ‘nós’ para pensar a educação”, abordo relações entre documentários autobiográficos, audiovisual e educação, buscando compreender algumas questões ligadas à circulação de imagens no contemporâneo. No referencial teórico, os conceitos de montagem e sobrevivência, conforme elaborados por Georges Didi-Huberman. Ao final da defesa, a tese foi recomendada para publicação. 



Foram muitos anos para chegar neste momento. Uma vida, talvez. Mas, para ser mais específica, foram 13 anos. Parece ontem, pensando agora... mas não, não foi ontem... foi quando eu cursava o 2º ano da graduação em Gestão de Políticas Públicas, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, em 2013, que defini esse objetivo e que começou esse sonho de realizar/viver um doutorado.

Desde então, muita coisa aconteceu. Concluí a graduação, depois o mestrado e uma especialização. Também entrei para a Etec Cepam, onde sou professora até hoje. E esse percurso se imiscuiu a trabalhos que realizei antes, durante e depois desse período em algumas instituições. Temporalidades vaga-lumes que se encontraram num caminho interdisciplinar que compôs a espessura de cada linha da tese. 

Quem faz pesquisa sabe que, embora escrever seja uma atividade solitária, o exercício do pensamento articula-se a um coral de vozes, num diálogo que extrapola a quietude dos momentos em que estamos frente a frente com nossa tarefa de escrita. Por isso, digo que a densidade deste trabalho entrelaça-se às experiências vividas ao longo desses anos. E às relações com várias pessoas, com cada encontro que, de alguma forma, compôs comigo algo das pulsações desse percurso. 

Na tese registrei agradecimentos para algumas pessoas e instituições, aqui gostaria de enfatizar meu agradecimento à minha orientadora, a Profa. Dra. Fabiana de Amorim Marcello: sou profundamente grata por partilhar comigo não apenas o trabalho de escrever, mas a experiência de viver uma tese. 



Aos professores que compuseram as bancas dos exames de defesa do projeto de tese, e de defesa final de tese, meu muito obrigada pela disponibilidade de interlocução e partilha. À Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, em especial, à Faculdade de Educação e ao Programa de Pós-Graduação em Educação, sou grata pelo acolhimento e suporte fundamentais para a concretização de todas as etapas desta pesquisa.

Nos processos de candidaturas para bolsas de estudo internacionais, recebi apoio inestimável de muitas pessoas. Agradeço à professora Susana Viegas e toda equipe do projeto Film and Death por todo acolhimento e por terem me recebido tão gentilmente em Lisboa nas duas ocasiões em que lá estive (out/24 e fev/25).

Agradeço também à minha família. A quem divide as cotidianidades de cada nascer e de cada pôr-do-sol diariamente comigo. E para quem me viu nascer, crescer e me ensinou a amar a educação.

E a todos os amigos, amigas e colegas que partilharam algo desse caminho comigo ao longo desses anos. 

E é preciso dizer: me sinto grata também por esse caminho da pesquisa, como uma escolha de vida: uma maneira muito instigante de mirar o mundo, formular questões e pensar nossos modos de viver e aprender. 



A defesa da tese não representa apenas o encerramento de um trabalho. Ela representa também uma celebração de encontros, afetos e diálogos que compuseram esse percurso. 

Agradeço por todas as trocas e oportunidades de aprendizado. E enfatizo também a gratidão pelas políticas públicas e pelas instituições públicas que tornaram essa formação possível.





Muito obrigada!



***

PS.: Terminei de redigir essas linhas em Diamantina, Minas Gerais. Momento esse que me possibilitou aquilatar algumas memórias que, nos últimos dias, me visitaram a cada relance de olhar que eu lançava para essas paisagens: um filminho, quiçá um documentário autobiográfico, passou diante dos meus olhos, enquanto eu pensava em todos esses anos dedicados à pesquisa, à escrita... querendo chegar ao doutorado. E, ao chegar, querendo viver essa etapa da melhor maneira possível. E, agora, no gesto de saudar o saldo desses movimentos vitais, penso: sim, é sobre isso...


;)