Às vésperas do Natal, eu e minha orientadora, Fabiana Marcello, ganhamos esse presente: foi publicado o primeiro texto oriundo de minha pesquisa de doutorado. Trata-se da primeira publicação conjunta desse processo de trabalho que temos construído ao longo do doutorado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse texto começou a ser pensado a partir das experiências vividas em Lisboa, como um dos resultados dos dois períodos internacionais de investigação que tive, com financiamentos da CAPES e da FAPERGS, junto ao projeto Film and Death, no Instituto de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa (IFILNOVA).
O texto, intitulado “O movimento de reencontro em documentários autobiográficos: retornar aos corpos, arquivos e objetos de uma vida”, foi publicado no dossiê “Death-Images: Revisiting Deleuze’s ‘Time-Image’ in Cinema after 1985”, organizado por Lucas Ferraço Nassif, Marco Grosoli, Vasco Baptista Marques e Susana Viegas na Revista de Comunicação e Linguagens.
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RESUMO
O movimento de reencontro em documentários autobiográficos: retornar aos corpos, arquivos e objetos de uma vida
Neste texto, analisamos o trabalho de três artistas (dois cineastas e um artista plástico), com o intuito de refletir sobre o papel dos arquivos e objetos no movimento de reencontro que realizam nas produções em questão. São elas: o filme Visita ou Memórias e Confissões (1982-2015), de Manoel de Oliveira; o documentário Por Parte de Pai (2018), de Guiomar Ramos; e a exposição Ritornare (2024), de Vasco Araújo. Detivemo-nos especialmente nos dois documentários autobiográficos, nos quais buscamos deslocar o modo de pensar a função dos arquivos e objetos. Argumentamos que, ao desejarem reencontrar-se com o passado, ambos os cineastas mobilizam arquivos e objetos, os quais, no contexto de cada filme, se tornam coparticipantes de uma relação lazariana com a morte. Ainda que esses filmes promovam baralhamentos de temporalidades, é justamente por meio desses elementos — arquivos e objetos — que se materializam encontros entre diferentes pontas de tempo, atuando como suportes de presença e de diálogo com aqueles que já se foram.
ABSTRACT
The movement of reencounter in autobiographical documentaries: returningto the bodies, archives, and objects of a life
In this article, we analyze the work of three artists (two filmmakers and one visual artist) with the aim of reflecting on the role of archives and objects in the movement of reencounter enacted in their respective productions. These are: the film Visit or Memories and Confessions (1982-2015), by Manoel de Oliveira; the documentary Requiem for my father (2018), by Guiomar Ramos; and the exhibition Ritornare (2024), by Vasco Araújo. We focus in particular on the two autobiographical documentaries, in which we sought to shift understandings regarding the function of archives and objects. We argue that, in their desire to reconnect with the past, both filmmakers mobilize archives and objects that, within the con-text of each film, become co-participants in a Lazarean relationship with death. Although these films enact temporal entanglements, it is precisely through these elements — archives and objects — that encounters between different temporal layers are materialized, acting as supports for presence and for dialogue with those who are no longer here.
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